quarta-feira, janeiro 18, 2006

A pedofilia nas bocas do mundo

Andar por aí a percorrer os blogs que se vão sucessivamente criando e um após outro, vasculhar links e sites recomendados é daquelas actividades que eu não tenho especial vontade de fazer. Mas às vezes, quando se encontra qualquer coisa de interessante, até se procura e se tenta opinar sobre a qualidade deste ou daquele blog. No outro dia encontrei um que me chamou a atenção. Primeiro pelas fotografias, depois por alguns textos e citações que acompanhavam as imagens. Mas o blog já é antigo, e já não tem entradas desde outubro do ano passado. Por esta razão, e também como não tenho forma de comentar no local algo que li, vim para aqui falar sobre pedofilia.

Ora o que li, não concordei. O autor queixava-se que, actualmente (2003) existe uma espécie de complacência crescente em relação aos pedófilos e aos crimes de pedófilia. Caracterizava a pedofilia, ou pelo menos a noção que as pessoas tinham desta, como um crime que a generalidade de nós associava a alcoólicos, a pessoas extremamente violentas sem qualquer tipo de formação moral ou ética, e que era cometido numa aldeia remota e isolada ou em qualquer lugar que se situasse a uma distância minimamente segura das nossas casas. Sinceramente nunca fiz esse tipo de associação, mas aquilo que mais estranhei foi a afirmação de que: por vermos pessoas normais, bons chefes de familia, figuras públicas ou pelo menos conhecidas, com altos cargos ou com profissões "dignas" como a advocacia e a medicina, pessoas que nos habituámos a ver e algumas das quais que nos habituámos a gostar, envolvidas no caso da Casa Pia, deixámos de ver os pedófilos como os verdadeiros monstros que eles são. Eu acho isto redondamente errado, pelo menos da minha parte. A verdadeira monstruosidade destes crimes, para além da idade das vítimas, da sua inocência e daquilo que apenas podemos imaginar como consequências que irão sofrer, são as características de quem os comete. Acho fácil e cómodo catalogar alcoólicos ou pessoas extremamente violentas sem qualquer tipo de formação moral ou ética como monstros capazes de molestar sexualmente crianças mas a realidade da pedofilia é outra. E é essa realidade que é monstruosa. É na realidade das coisas que acontecem em qualquer lado, na porta vizinha ou mesmo dentro de casa, onde os monstros têm a máscara de pessoas que nos habituámos a gostar, de familiares, é nessa realidade que os monstros vivem. Por isso não acho que complacência seja uma palavra adequada. Antes pelo contrário.


PS: Esta foi daquelas alturas em que eu queria mesmo que alguém me ouvisse.

1 Comments:

At 10:06 da tarde, Blogger Diana said...

Monstruoso é o que me parece que será o mundo aos olhos de quem foi vítima de abuso sexual. Total desconfiança emocional.

 

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