quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Ler, na minha cabeça

Acho que a leitura faz por mim mais do que a escrita. A escrita tende a mergulhar-me demasiado em mim própria, e acabo sempre por ocupar um buraco depressivo de procura das razões pelas quais me devo sentir mal. É sempre o meu desabafo, mesmo que mal ou bem disfarçado. A leitura não é minha, mas posso fazê-la minha, e põe-me sempre a cabeça a funcionar a mil à hora. Por esta razão é que me absorve. Por esta razão é que me abstraio completamente de todos os estímulos exteriores e tenho conversas com os meus textos sem que ninguém se aperceba. Nestas alturas começo a notar que o som da voz cá de dentro, a que lê e a que fala, se torna tão alto, que fico com sérias dúvidas se cheguei mesmo a proferir as palavras. Acho que ainda não o fiz até agora, até porque quando estou na presença de pessoas faço questão de comprovar se alguém está a olhar para mim com cara de parvo. Parece-me que de tanto passar tempo exclusivo comigo própria começo a correr riscos maiores de que isso venha a acontecer. Só espero que na altura, não esteja a pensar nenhuma asneira, pelo menos não uma asneira que me prejudique...

1 Comments:

At 4:13 da tarde, Blogger Diana said...

Eu gosto mais de escrever. Os outros aborrecem-me demasiadas vezes.

 

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