terça-feira, fevereiro 14, 2006

O meu dia 14

Isto de passar o dia dos namorados enfiada em casa tem as suas vantagens. Eu deduzo que seja essa a razão principal, que leva a que a memória mais clara que vá guardar deste dia, e dos que o precederam mais directamente, sejam uns míseros corações televisivos, dois ou três spots publicitários e, agora que me encontro mergulhada no universo internético, uns quantos posts que celebram esta prostituição publicitária do amor da forma que mais me agrada, cinicamente.

O pesadelo do dia 14 de Fevereiro costumava começar perto de duas semanas antes (ou mais) quando todo o comércio e todo o colorido exterior à minha casa se veste de vermelho com muitos corações e muitas rosas e muitos bombons e muitos és o melhor namorado/a do mundo. Desta vez, muito devido à minha clausura passiva, pouco vi do comércio local, a televisão da sala teve o azar de se estragar misteriosamente, e a procura internética de emprego nunca me leva para muito perto de corações pulsantes.

Por isso, hoje, posso seguramente dizer que o Dia dos Namorados passou-me e continua a passar-me ao lado, este ano de uma forma menos consciente. Passou-me ao lado não porque não tenha namorado (passou-me ao lado quando tive), não porque esteja frustrada por não ter (sinto-me relativamente descansada nesse aspecto), não porque não aprecio o tema (não aprecio), não porque tanto coração enjoa (é verdade, enjoa), mas porque foi mais ou menos há uma hora atrás que me lembrei que há gente por aí fora que faz do dia de hoje mais do que um dia normal.

1 Comments:

At 10:27 da tarde, Blogger Diana said...

Eu fui-me lembrando do Dia dos Namorados, um pouco por todo o dia. E não vi coraçõezinhos em lado nenhum, não vi spots publicitários, não passei por qualquer montra. Nada. Concluo que eu queria mesmo pensar neste dia, lembrar-me disto.

Acho que este dia, para quem não tem namorado, é como ser dia 25 de Dezembro, ver toda a gente com a família, a trocar prendas e a comer filhoses e simplesmente não se poder festejar o Natal. Por mais que não se ligue, acho que há sempre um vazio qualquer por não se fazer parte do "sistema".

Eu hoje até estou bem disposta - suponho que isto seja uma consequência da estupidez que trespassa de mim, devido ao referido estado de espírito. Talvez não.

 

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