quinta-feira, novembro 10, 2005

Jornais "do sexo"

No fundo, a verdade é que vim para o blog despejar o peso que tenho nos ombros, o sobrolho franzido e os olhos vazios que tenho tendência de ver reflectidos no espelho. Mascarada está a tentativa de escrever alguma coisa a que eu ache piada. Como não me lembrei de um tema específico para desenvolver, achei que começar a escrever e ir escrevendo papaias poderia dar-me alguma ideia brilhante.
Ando desleixada, não vejo o telejornal da tvi, tenho perdido as telenovelas e já nem a tvcabo me entusiasma o espírito aparvalhado com que costumo falar das coisas. Dado o estado descrito, o melhor que consigo fazer, e que me fui lembrando à medida que escrevi as papaias prévias à actual (que eu estou a escrever, mas que outros poderão, eventualmente, ler), é sobre as pessoas que compram jornais ou revistas "do sexo".
Não sei bem se é possível comparar, mas tenho a ligeira sensação de que quem compra o jornal dito pornográfico e preservativos apresenta expressões semelhantes: de vergonha. Em relação aos preservativos toda a gente sabe que se deve usar, há até quem os ofereça, mas mesmo assim as pessoas ainda sentem vergonha quando os compram. Com estes jornais parece-me que a atitude deveria ser a mesma da de quem compra preservativos: qual é o problema?
O que eu queria mesmo era contar um episodiozito que me aconteceu hoje, quando estava ao balcão da papelaria e que já me aconteceu outras vezes. Acho que por se tratar de uma mulher, os homens ficam mais desconfortáveis ao comprarem este género de publicações, até porque vislumbro no olhar descaído de alguns a espera pela minha reprovação. Outros tentam disfarçar o melhor que podem, quase nunca conseguem tratar a revista ou jornal como se fosse a coisa mais natural do mundo e acabam por se atrapalhar. Outros ainda utilizam a abordagem superior, aquela do "eu sou bom, estou à vontade com isto" quase numa de bater-couros.
A melhor forma de descrever:
Estava eu descansadita atrás do balcão quando, apressadamente, entra um homem pela porta. Olha para mim, baixa os olhos, agarra na primeira revista que está à sua frente e afirma que a quer comprar. Dá-me uma nota de cinco euros. Assim que me viro para o lado de forma a fazer o troco, o dito homem diz em meia voz à medida que olha, dá uma passada para o lado e agarra num jornal pornográfico (tudo numa questão de um segundo) "Também levo isto.". Como eu também não adivinho o preço das revistas todas tive de lhe pedir o jornal, criando-lhe uma situação ainda mais desconfortável: abre muito rapidamente o jornal já dobrado e diz o preço em voz alta, suponho que esperando que eu não sentisse a necessidade de o verificar pessoalmente. Não verifiquei, não aprecio especialmente o desconforto de terceiros. Fui ver depois dele sair, já preparada para correr atrás dele e berrar: "Ó meu senhor! O jornal SEXUS é mais caro!". Não foi preciso.
Esta foi a de hoje. Já tive situações piores. Velhotes a meterem-se comigo "É para passar um bom bocado... sabe como é". Jovens a quererem enganar-me com coisas do género: "Posso trocar esta revista? Eu tirei o plástico mas não tem as fotos que eu tava à procura...". E outras tantas, mais do género da descrição exaustiva que já fiz.
O que eu queria dizer é que cada um faz o que lhe apetece e, às vezes, quanto mais se tenta disfarçar pior é.

3 Comments:

At 10:08 da tarde, Blogger Adriana said...

O meu blog anda contra mim. Não me deixa por espaços nos parágrafos.

 
At 1:45 da manhã, Blogger Diana said...

Quem compra preservativos tem escrito na testa: "vou mandar uma" e quem compra revistas dessas tem escrito na testa: "já que nao posso mandar uma, vejo isto" (preconceituosa) :D

 
At 1:51 da manhã, Blogger Adriana said...

Isso depende de quem lê...

Giro era s lesses "vou mandar uma! nhé nhé nhé nhé..." e "tenho dinheiro pa substituir uma! nhé nhé nhé nhé..."

 

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